Guerra dos Portáteis

Postado dia 22/02/11 por Master Gamer |

Nintendo, a soberana dos portáteis.

 The Second Best Thing in The Dark

No ano passado a Nintendo surpreendeu a todos com o anúncio do 3DS. O portátil não só era mais poderoso que qualquer outro existente no mercado até o momento, capaz de reproduzir a experiência de vários jogos até então exclusivos das plataformas HD, como possuía vários recursos peculiares, mas o mais importante, uma tela Widescreen capaz de exibir imagens em 3D sem a necessidade de qualquer periférico extra.

Somado ao hardware surpreendente do portátil, veio uma lista de jogos incrível com um apoio imenso das thirds. Pela primeira vez os jogos de destaque da plataforma não eram Mario, Zelda ou Metroid, jogos que com toda certeza virão em um futuro próximo, mas títulos como Resident Evil, Dead or Alive, Super Street Fighter 4, Kingdom Hearts, Metal Gear Solid, Megaman Legends 3 e vários outros.

Considerando o histórico de sucesso do seu antecessor, a Nintendo parecia ter ganhado a guerra antes mesmo da primeira batalha. Será mesmo?

Em primeiro lugar, a Nintendo nunca chegou a travar realmente uma guerra no ramo de portáteis. Suas plataformas eram tão bem boladas, e seus títulos frist party tão interessantes, que isso era o suficiente para chamar a atenção do consumidor. As grandes vendas de hardware chamavam a atenção de vários desenvolvedores e isso era suficiente para garantir o sucesso do portátil, sem dar muito espaço para concorrentes.

Dito isso, a Nintendo nunca utilizou o melhor hardware disponível no mercado em seus portáteis, sempre se tratou de estratégia e não força bruta. Mas na geração passada a Sony conseguiu, ao menos, desafiar o monopólio da Nintendo lançando um aparelho com hardware de ponta, design maduro e publicidade voltada para a parcela adulta dos Gamers e Geeks.

Alguns dizem que a Nintendo estava apenas blefando, mas a mesma de fato parecia não se importar com a participação da Sony no mercado. Ela estava de olho em outra empresa, que prometia se tornar uma ameaça maior do que a Sony jamais conseguiria ser, a Apple.

 Distribuição Digital

App Store

A Nintendo na geração passada, ao invés de competir pelo mesmo mercado da Sony e Microsoft, resolveu apelar para um público novo, com bastante potencial, mas que eram praticamente ignorados pelas grandes empresas, os jogadores casuais.

Esse público fez o Wii se tornar o console mais bem sucedido em sua geração, mesmo sendo o mais fraco em termos de hardware e sem possuir uma grande parcela dos títulos mais aclamados pelos jogadores dessa geração, além de ter feito o Nintendo DS estourar em vendas, se tornando um dos consoles mais vendidos na história dos games. Não é preciso ser um gênio para imaginar que várias empresas começariam buscar a atenção desse grupo de consumidores em potencial, mas são poucos aqueles que conseguiram enxergar as conseqüências disso.

A Apple na geração passada começou a construir uma nova perspectiva para sua linha handheld. Eles não seriam mais simples aparelhos multimídia, a partir daquele momento eles seriam também plataformas de games, mas focados apenas na distribuição digital.

A distribuição digital já estava no mercado de games há algum tempo, mas apenas nos consoles de mesa, onde não ameaçavam os títulos em mídia física pelas suas limitações. A partir desse momento, a distribuição digital passaria a fazer parte também do mercado de portáteis, a Sony lançaria os “PSP minis” em sua rede online e um portátil dedicado exclusivamente a distribuição digital, o PSPgo. A Nintendo por sua vez lançaria o DSi, uma versão melhorada do DS que possuiria como uma de suas qualidades, sua própria loja de títulos para download.

            Ainda que possuindo suas próprias redes de download, a Nintendo e a Sony possuem políticas muito rígidas de licenciamento e aprovação de títulos, o que limita os títulos lançados em suas plataformas. O mesmo não acontecia nos aparelhos da Apple que eram bem abertos aos desenvolvedores independentes, Angry Birds não teria sido possível sem essa abertura da Apple.

Do ponto de vista do consumidor, as lojas virtuais possibilitam uma forma de compra muito mais acessível e barata. Os jogos também são limitados em tamanho como nos consoles de mesa, mas para o público casual, isso é um mero detalhe. O público que a Nintendo tanto cultivou na geração passada não vê diferença entre Plants VS Zombies lançado via distribuição digital na Apple Store por $2,99 e a versão DS lançada em mídia física por $19,82, fora a diferença absurda de preço e o fato de que uma adolescente de 17 anos irá preferir andar com um iPhone no bolso ao invés de um Nintendo DS.

Como se a situação não estivesse complicada o suficiente, o lançamento do Android veio para piorar ainda mais o cenário. Ele permite que a estratégia de mercado da Apple seja utilizada em qualquer aparelho celular moderno.

 

Competindo pelo bolso do consumidor

             Em resumo, podemos dizer que nessa geração teremos a primeira grande guerra no mercado de handhelds, travada pelos aparelhos:

 

Nintendo 3DS

Nintendo 3DS

Como dito anteriormente ele conta com uma tela 3D e a maior biblioteca que um console já teve em seu lançamento, recheada de títulos incríveis e um apoio das thirds que a Nintendo não recebe há anos.

O portátil também conta com acelerômetros, giroscópio, uma câmera VGA apontada para o jogador e outras duas câmeras VGAs externas, microfone embutido e uma touch screen semelhante a do seu antecessor.

Diante da situação descrita nas outras partes da matéria, podemos dizer que a Nintendo está tentando fazer um grande apelo ao público hardcore, ao mesmo tempo em que tenta criar uma identidade forte para o seu portátil, de forma que os jogadores casuais “se interessem pelo Asphalt 3D vendido por $39,99 para 3DS, ao invés do Asphalt 5 HD vendido por $4,99 na loja online do Android”.

 

Sony NGP

Sony NGP

            Dia 27 de Janeiro a Sony se viu forçada a retirar o véu do sucessor do PSP, devido ao evento ocidental dedicado ao 3DS realizado no início do mesmo mês. Caso a empresa não se pronunciasse, ela correria o risco de ver seu público migrar para o 3DS ao invés de aguardar seu novo portátil. Talvez por causa dessa revelação precoce, pouquíssimos títulos foram anunciados junto da plataforma. O que enriquece o repertório da Sony, além das suas propriedades intelectuais como Uncharted, Little Big Planet e Resistence é a promessa de que Call of Duty, Metal Gear Solid virão para o portátil e trarão a mesma experiência encontrada em seu console de mesa, o Playstation 3. Existem inclusive planos para o lançamento de títulos multiplataforma entre os dois consoles com direito a compartilhamento de troféus, saves e outros recursos.

            O hardware do NGP é incrivelmente poderoso, conseguindo reproduzir a qualidade gráfica do PS3 em uma maravilhosa tela de oled, embora ele não seja realmente tão poderoso quanto o console de mesa. Ao mesmo tempo ele possui alguns recursos interessantes como GPS, suporte a tecnologia 3G, sensor de movimento, touch screen e um touch pad na parte inferior do portátil. Tudo bem que para um portátil, o NGP ficou ridiculamente grande, mas de fato a Sony está tentando fazer do mesmo algo mais do que um simples PSP melhorado.

 iOS

Apple iPhone 4

            Não tenho muito a acrescentar em relação à linha portátil da Apple. Ela possui uma estratégia de negócios excelente, conta com um repertório de desenvolvedores independentes bem forte, embora a distribuição digital no momento seja incapaz de permitir que títulos classificados pelos jogadores hardcore como “de peso”, “console seller” ou “AAA” sejam lançados para o mesmo. Os aparelhos da Apple ainda contam com um período de renovação mais curto. Enquanto o 3DS e o NGP só serão trocados dentro de cinco anos, em dois ou três poderemos ver um iPhone 5 com tela 3D e hardware superior ao do NGP.

 

Android

LG Optimus 3D

            O sistema operacional criado pelo Google permite que a estratégia comercial da Apple seja aplicada para, virtualmente, qualquer handheld moderno, seja um PDA ou um smartphone. Com o diferencial que o Android é completamente aberto, possuindo ainda menos limitações do que as encontradas pelos desenvolvedores para lançar seus softwares na App Store.

            O Android ainda conta com uma enorme vantagem, considerando que a cada dois anos um modelo de celular novo, superior a todos os outros no mercado, é lançado, a possibilidade de o Android ficar disponível em um hardware superior ao do NGP e ainda fazendo uso do recurso 3D implementado pelo 3DS é ainda maior. Para dar o toque final, a Sony ainda anunciou a Playstation Suite, uma rede de aplicativos para Android, teoricamente, exclusiva para os seus aparelhos, incluindo os celulares da Ericsson e o próprio NGP. Ao mesmo tempo em que ela dá ao NGP a possibilidade de participar desse mercado, ela também abre portas para que suas franquias acabem indo parar em outros aparelhos Android, incluindo aqueles fora da marca Playstation.

 

Futuro Incerto 

AR Card

            A batalha pela atenção do consumidor já começou. É muito cedo para dizer quem vencerá essa guerra, mas é possível prever para que lado o mercado caminhará nos próximos anos. Enquanto o Android e o iOS, não precisam se esforçar muito, apenas aguardar a expansão natural do mercado, a Nintendo e Sony terão que criar estratégias inovadoras para prender a atenção do seu público alvo.

            No momento a Sony está usando o poder do seu novo hardware para tentar o consumidor, vendendo a imagem de que o seu NGP é literalmente um PS3 portátil, mas já se sabe que ele não será top por muito tempo. A Sony ao invés de desenvolver sua própria CPU e GPU, usou um combo de chipset padrão comum em smartphones e tablets, dessa maneira, em dois anos já existirá no mercado tablets e smartphones com capacidades muito superiores as do NGP. Sabendo disso, a Sony parece estar estudando algumas saídas. A conectividade com o PS3, o touchpad, a Playstation Suite e as funções de GPS e 3G não parece se integrar como parte de um único plano, por esse motivo, podemos dizer, talvez, que cada um faz parte de uma aposta única da Sony para servir de escape durante possíveis complicações que o aparelho possa encontrar durante sua vida útil.

            No caso da Nintendo, quando o 3D deixar de ser uma novidade, ela provavelmente explorará o hardware balanceado do 3DS (baixo custo para o desenvolvedor e consumidor + experiência diferenciada) como fez em todas as gerações de portáteis. Os AR cards já são uma forma interessante de explorar as duas câmeras externas, inicialmente projetadas para tirar fotografias em 3D (provavelmente todos as novas cartas da sua série Pokémon Trading Card Game serão também AR cards), e ainda podemos aguardar grandes coisas do seu eShop e o uso inovador dos recursos de conectividade do aparelho. Caso a situação fique um pouco apertada, podemos esperar com toda certeza um novo modelo do 3DS, com alguns novos recursos para retomar a atenção do consumidor.

            Tudo isso são meras especulações, é claro. Iremos sentir os primeiros impactos dessa nova geração, assim que o 3DS for lançado, o que para nós será no dia 27 de março. Curiosamente, foi confirmado que o portátil terá entre as opções de idioma o nosso português brasileiro. Se isso significará um suporte maior ao mercado brasileiro, só o tempo dirá.

3DS, Android, IOS, NGP
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