Em um mundo onde jogos de ritmo como Guitar Hero e Dance Dance Revolution vêm ganhando espaço, é natural que venham surgindo diversos jogos de ritmo – jogos onde se devem fazer combinações de comandos ao ritmo de uma música de forma a simular algum instrumento musical ou dança ou algo da vida real. Alguns são simples variações dos jogos mais famosos – adicionando novos aspectos ou alterando um pouco a jogabilidade - e outros completamente inovadores e diferentes. É nesse segundo grupo que encaixa o ousado Osu! Tatakae! Ouendan, diretamente do Japão e disponível apenas lá.
É incrível como jogos de ritmo conseguem ser viciantes e cativantes para a maioria dos jogadores, sejam casuais ou hardcore. Primeiro porque exploram habilidade do jogador de se envolver no ritmo da música, que é algo que agrada a muitos – sendo que essa habilidade se desenvolve gradualmente. Segundo porque abre as portas para a divulgação de músicas desconhecidas e de boa qualidade.
Osu! Tatakae! Ouendan está dentro desses requisitos, no entanto de uma maneira nada convencional. Ouendan, do japonês, significa líder de torcida. São carinhas no Japão que realmente existem e animam jogadores de um time de um certo esporte para que ganhem a partida. Eis que algum funcionário da Inis, produtora do jogo, teve a idéia, que por sinal só os japoneses ousam ter, de ampliarem a função aos jovens Ouendans. Agora eles não apenas animam jogadores para que ganhem suas partidas, mas também animam pessoas comuns em situações complicadas do cotidiano como passar no vestibular, moldar miniaturas de barro, garantir um namorado, livrar-se de uma diarréia, salvar a cidade de um rato gigante e até mesmo salvar o mundo, tudo isso ao som de músicas populares no Japão! Nasce portanto Osu! Tatakae! Ouendan – que influenciaria a versão americana Elite Beat Agents, mais conhecida por aqui.
História
Não há muito o que comentar – até porque o jogo é todo em japonês e não há tradução, mas a história é basicamente de um grupo de líderes de torcida que resolve animar as pessoas em seus problemas pessoais. Cada problema possui uma música associada (que não precisa ter ligação direta com o tema do problema).
No entanto devo afirmar que história é algo importante aqui sim, até porque ela dá um gostinho a mais no jogo. Mesmo que não saibamos japonês, é possível deduzir algumas coisas e no fundo é tudo muito engraçado, dado o fator exótico das histórias.
Jogabilidade
O jogo só tem basicamente dois aspectos realmente importantes e estes são a jogabilidade e o som. Em se tratando da jogabilidade, este jogo se destaca nela. Há uso massivo da touchscreen, inclusive nem é possível utilizar os botões – é tudo na tela de toque do DS mesmo!
Para a seleção de músicas, há um mapa da cidade onde é possível escolher quem o jogador irá ajudar. Ao tocar em um personagem desesperado pedindo ajuda há uma prévia da música para que possa ser escolhida. A medida que elas vão sendo terminadas, surgem novos problemas e novas músicas para serem selecionadas.
A jogabilidade do ritmo é simples. Surge uma bola na tela em um determinado lugar e uma circunferência de mesmo raio que inicialmente é maior que a bola, só que vai diminuindo até cobrir a borda da bola. No momento em que isso acontece, basta apertar a bola com a stylus. Feito isso, o jogador acerta a nota e ganha uma pontuação que pode ser 50, 100 ou 300. Caso contrário, o jogador erra e não ganha a pontuação. Vão surgindo diversas bolas na tela e o objetivo é tocar nelas. Para facilitar, cada bola possui um número indicando a ordem em que devem ser tocadas. Algumas vezes, surge uma espécie de prolongamento em que há necessidade de manter a stylus na tela e deslizá-la conforme indicado na tela, e só soltar quando for indicado também – isso tudo no ritmo. Um último aspecto é uma roleta que eventualmente aparece – o objetivo é girar a roleta o mais rápido possível, o que pode garantir pontos extras. É basicamente isso que constrói o jogo.
O jogo é regido por uma barra de Ki (do japonês, espírito). Ela inicia cheia e está sempre diminuindo – a única forma de acrescentar Ki é acertando as notas ou girando a roleta. Caso a barra de Ki se esvazie, o jogador perde a música. Então, para ganhar, basta manter-se vivo! Ao final da música é dado um ranking conforme o desempenho na música.
Cada música é dividida em sub-seções. Normalmente são quatro e entre elas há uma pausa contendo animações dos personagens do problema associado à música. São descontraídos e servem para que haja uma avanço nas histórias e ao mesmo tempo descansar a mão do jogador! Se a barra de Ki ao final de uma sub-seção estiver acima da metade, o jogador ganha um O e o personagem se dá bem na animação, caso contrário ganha um X e o personagem falha miseravelmente. Note que para ganhar a música basta sobreviver, então é possível que se ganhe X em todas seções e mesmo assim ganhe a música!
Em aspectos gerais, a jogabilidade é simplesmente inovadora e é o ponto que faz com que esse jogo seja tão viciante. Não há nada parecido em outros jogos e foi uma boa sacada da Inis. Há uma boa resposta dos comandos, o jogo tem uma curva de aprendizado muito boa, já que possui os modos Easy, Normal, Hard e Extreme (em japonês devem significar outra coisa, mas é essa a idéia), sendo que apenas Easy e Normal estão liberados inicialmente, e é necessário terminá-los para liberar o Hard e o Extreme. Sem contar que as músicas iniciais são mais fáceis e as próximas são mais difíceis – o jogador vai aprendendo e, quando vê, já está muito bom!
Mas temos problemas. Algumas vezes, para começar uma música, há muita demora – como é o caso da última música. Ter de repetir várias vezes torna o jogo um pouco chato – mas esse é o único defeito visível.
Som
Outra parte importante aqui. O jogo possui músicas apenas em japonês. Embora, por aqui, a única música que as pessoas devam realmente conhecer é a Ready Steady Go, da banda L'Arc~En~Ciel, pelo fato de ser uma das aberturas do anime Fullmetal Alchemist, o resto é bastante desconhecido. Analisando esse fato como um ocidental, não é algo muito bom, pois espera-se que apareçam mais músicas que conhecemos; por outro lado, conhecemos mais bandas e músicas, então se alguém é fã de j-music, é um prato cheio, caso contrário... talvez não seja muito bom. De qualquer forma, as músicas japonesas criam um clima que combina com o tema de Ouendans, então está valendo!
Ainda que algumas músicas não sejam conhecidas, algumas bandas são – como por exemplo a Asian Kung-fu Generation, conhecida pela música Haruka Kanata de Naruto, mas que no jogo representa a música Loop & Loop; temos também a banda nobodyknows+, também de Naruto, conhecida pela música Hero's Come Back!!, representando música Kokoro Odoru no jogo e a banda The Yellow Monkey, conhecida pela música de Rurouni Kenshin chamada Tactics, mas que no jogo representa a música Tayou ga Moete iru. Seria mais interessante que essas músicas conhecidas dessas bandas fossem incluídas no jogo ao invés dessas músicas que não conhecemos.
Outro aspecto importante: não são as bandas que cuidam da performance das músicas – mas sim bandas covers, então dá pra notar uma diferença nas músicas com relação às originais.
Um professor de japonês que morou no Japão disse-me que conhecia quase todas as músicas do jogo – que eram músicas tradicionais e populares. Ainda assim, é algo interessante para nós, ocidentais.
Gráficos
Quem se importa com gráficos em um jogo de ritmo? Aqui tem até sua importância. Em toda música, há modelos 3D dos personagens de Ouendan dançando de acordo com os toques da música – é uma boa animação; e também temos as histórias no estilo mangá, mas coloridas, dos personagens com problemas e que estão sendo ajudados – que também são bons.
Conclusão
Osu! Tatakae! Ouendan é um jogo que irá agradar muito certamente. A jogabilidade inovadora, o clima japonês e as histórias que certamente renderão muitas risadas podem agradar o jogador, e deixá-lo viciado, querendo mais jogos – e aí entram as seqüências Elite Beat Agents e Moeru Nekketsu! Rythm Damashii! Osu! Tatakae! Ouendan 2. Recomendo a todos.