O ano era 1993. Megaman já era uma franquia mundialmente conhecida e a Capcom explorou ao máximo o sucesso da série original lançando até então seis jogos para o console de mesa da Nintendo, o NES. Aos poucos a série evoluía, mas não tanto quanto os games. Outras franquias como Mario e Sonic estavam totalmente adaptadas a nova geração de videogames, enquanto que robozinho azul estava atrás. A gigante japonesa sabia que precisava revigorar a série.
Com um intenso trabalho de dois gênios da Capcom ( Keiji Inafune e Hayato Kaji) nascia a série Megaman X, que não seria apenas uma evolução gráfica da franquia original. Os produtores sabiam que precisavam de alguns twists no gameplay e na história, mas que era preciso manter a essência do herói que todos amavam. Por isso, os novos personagens possuíam uma personalidade muito mais densa do que a série original. Além disso, a história era muito mais complexa. Por exemplo, o vilão do jogo, Sigma, na verdade era um Maverick Hunter, assim como Megaman. No entanto, ele contraiu um vírus que modificou a personalidade dele. Sigma então reuniu outros robôs que também foram contaminados pelo mesmo vírus e agora quer criar um mundo sem humanos.
Outra detalhe que chama atenção no primeiro jogo da franquia X é o Zero. A idéia original de Inafune era torná-lo personagem principal, mas a Capcom sentiu que os jogadores poderiam não gostar muito do Zero, visto que o design dele era muito diferente do Megaman clássico. Ainda assim, Zero foi colocado como um personagem de suporte e Inafune fez de tudo para mostrar que robô vermelho era muito mais legal que o azul.
Desde a primeira fase, o jogo faz questão de mostrar que Zero é muito mais poderoso que o Megaman X. Tudo que você quer é jogar com ele. Bem isso não acontece até Megaman X3. Mas como ninguém sabia disso na época, o jogador se contenta em se tornar mais poderoso. E aí está o grande segredo do sucesso da franquia X, os powerups. E não são poucos os upgrades ao longo do jogo. Heart tanks, Sub-tanks, armaduras, armas dos chefões e até a possibilidade de fazer o Hadouken. Tudo isso foi colocado para recompensar o esforço do jogador e simbolizar o crescimento de X na história.



O gameplay é muito semelhante ao clássico. Você pode pular, atirar e carregar o tiro. Dois novos elementos foram adicionados. O primeiro que o jogador vai notar é de escalar paredes. Isso torna o jogo muito mais explorável e como as fases estão repletas de powerups, o jogador vai querer olhar todo canto da fase. Além disso, o dash aumenta ainda mais a exploração já que ele pode ser usado com o pulo.
Uma prova que a franquia X é muito mais focada em exploração do que em ação é a transição de tela. Na franquia original, a fase era divida em diversos setores em que o jogador precisava mostrar habilidade com o controle. Esse elemento até continua no jogo, mas graças ao wall-climping e ao dash fica tudo mais fácil. Ao contrário do clássico em que o desafio era completar a fase, em Megaman X o desafio é encontrar os powerups.


O sucesso de Megaman X foi tão tanto que a série recebeu sete continuações, diversos spin-off e dois remakes. O primeiro foi lançado para PSP e foi chamado de Maverick Hunter X. O jogo é uma releitura do original porque que modifica um pouco a história. Embora tenha recebido reviews positivos o jogo não vendeu muito e não chegou a ter sequências. Em 2011, a Capcom lançou um outro remake do game para plataformas IOS.
Essa versão foi execrada pelos fãs visto que modificava alguns elementos do gameplay, como a transição de tela. Os gráficos também foram criticados. No entanto o que prejudicou mesmo o jogo foram os controles em tela de toque. A jogabilidade intensa de Megaman X, não combina com um controle sensível ao toque.
Enfim, Megaman X foi perfeito para sua época e colocou franquia na era dos 16-bits da melhor forma possível. O nível de dedicação da equipe da Capcom foi incrível. O game não é frustrante em nenhum momento, possuí um sistema de password, o gameplay é sólido feito uma rocha e coletar os pedaços da armadura é demais. Nota máxima merecida.





















