Há muito tempo que os fãs da franquia esperavam um Metroid em terceira pessoa. Depois do renascimento da série em Prime, a heroína volta ao console da Nintendo em Other: M. Produzido pela Team Ninja, Metroid: Other M mistura elementos clássicos com a jogabilidade em primeira pessoa da série “Prime”.
O jogo ocorre imediatamente após os eventos finais de Super Metroid, quando a Samus é salva por um bebê Metroid e, finalmente, consegue derrotar Mother Brain e os piratas espaciais. Após se recuperar do incidente, ela intercepta um chamado de emergência de uma nave espacial e decide averiguar a situação. Chegando lá, ela descobre que uma unidade da Federação Galática, comandada Adam Malkovich, já está em ação e que algo muito sério está acontecendo no “bottle ship”. Durante o desenrolar da estória, a heroína relembra de sua relação com a Federação Galática e Adam Malkovich.
A série Metroid nunca foi conhecida por sua história elaborada. No entanto, a partir de Metroid Prime, o enredo passou a ser mais elaborado. Metroid Other: M larga a tradicional formula da franquia para introduzir um enredo batido de ficção científica, que passou alguns momentos de criatividade. Até o último quarto do jogo, as cutscenes são chatas e pouco contribuem para o desenvolvimento do enredo. A partir de um certo ponto do jogo, tudo muda e, devidos à algumas reviravoltas, a história passa a ser interessante.
Essa é a primeira num jogo de Metroid em que a heróina, Samus, é dublada. No início pode parecer um pouco estranho e até um pouco exagerado a “filosofia” que passa em sua cabeça, mas a partir da metade do jogo, você já está mais acostumado e passa até a gostar.
Para evitar o clichê “Samus perde todo o seu equipamento no início do jogo”, os produtores decidiram tornar um dos principais ícones feministas do videogame numa subordinada. A Samus, a principal caçadora de recompensa, decide só usar utilizar seus equipamentos quando o seu “comandante” autorizar. Esse pequeno detalhe incômoda, porque o jogo sequer tenta explicar a proibização de certos itens. Além disso, adquirir os itens em Other M não é tão gratificante quanto em outros jogos da franquia.
A jogabilidade é uma mistura de elementos clássicos de Metroid com a franquia Prime. É incrível como Other: M consegue misturar esses itens de uma maneira tão precisa. O jogador controla a Samus em terceira pessoa segurando o Wii Remote na horizontal, caso ele queira explorar ou mudar para visão em primeira pessoa, basta apontar Wii Remote para a tela que ele funcionará como pointer. A transição é rápida e precisa, no entanto, exige certa adaptação do jogador e, no início do jogo, pode atrapalhar.
Os combates são intensos e conseguem desafiar os jogadores. Em terceira pessoa, a Samus automaticamente mirará no inimigo mais próximo. A princípio, a mira automática retira um pouco da dificuldade, mas ela se revela extremamente útil para manter a dinâmica no combate. Sem ela, o jogo seria uma verdadeira confusão. Também é possível desviar de ataques apertando qualquer botão do D-pad, essas manobras são essências são fáceis de serem executadas e dão uma ótima sensação de controle sobre o personagem. Além disso, Samus pode realizar diversos “Finish Moves” que funcionam muito bem durante a jogatina.
No entanto, a ausência das “scans” é uma grande perda para o jogo. Na série Prime, por exemplo, elas são as responsáveis por toda “backstory” do jogo. Teria sido uma grande adição ao jogo e com certeza trariam um novo fôlego para história.
Em certas ocasiões, o jogador é forçado a explorar um item em primeira pessoa ou percorrer grandes distâncias andando. Esses momentos quebram muito o ritmo de Metroid: Other M e deixaram muito a desejar.
Ambientação sempre foi importante na franquia da Nintendo. Metroid Other: M consegue manter o nível estabelecido por seus antecessores. Os mapas estão bem feitos, cada sala é única e isso contribui para criação de um ecossistema interno para o jogo. Por outro lado, a exploração deixou a desejar no jogo. Ela não oferece desafio e nem gratificação ao jogador. Os upgrades disponíveis são as tradicionais expansões de tanque, mísseis e os novos E-tanks e Accel Charges, que permitem carregar o tiro com mais velocidade. Com exceção dos Accel Charges, a quantidade de mísseis e tanques são (quase) desnecessários durante o jogo, porque existe uma fórmula de recarregá-los com uma simples ação.
Essa também é a primeira vez que a música de um jogo de Metroid é orquestrada. Assim como em outros títulos da série, a música não deixa a desejar e possui aquele traço marcante, que todos os fãs conhecem.
É muito bom poder controlar a Samus em terceira pessoa novamente. Os controles, ambientação e combates de Metroid: Other M são excelentes e, por si só, valem a pena serem conferidos. Mas alguns pequenos detalhes evitaram que o jogo se tornasse uma experiência completa e digna da expectativa criada por ele. Uma continuação com algumas melhoras será muito bem-vinda.





















